TEX, O GRANDE
É impressionante como nós, humanos e escribas, gostamos,
sentimos e nos arriscamos em tentar melhorar, explicar, enfatizar, entender, pensar em voz alta sobre algo. Ora, não deveria haver mais
nada a dizer depois de Tex, o Grande colorido. Mas sempre tem, felizmente, formas de
ver, de sentir, de enfatizar, de criticar algo. Por sorte, nem tudo que se põe
é digerido pelo distinto público. Resta-nos debulhar e explicar aquilo que
pensamos que somente a nós aparece e destrinchar o nó para quem vai chegando agora ao Universo Texiano.
Tex, o Grande começou em 1988, quando o espetacular e
fabuloso Tex entrou na idade do ‘enta’. Aos 40 do primeiro tempo, Sergio
Bonelli mandou pras bancas uma coleção que surpreendeu todo mundo e arrancou os
mais efusivos suspiros. Tex Gigante do Claudio Nizzi começando e de um Guido
Buzzelli tarimbado, capaz de interpretar o gigante do fumetto italiano sem
medo, sem meia conversa, mas do seu modo, impondo-lhe o que buscava o Editor,
que era apresentar o herói da Via Buonarroti com outros olhos, outras
pinceladas.
Tex 40 Anos
No
Brasil, esse Tex Edição Especial - 40 Anos, como passamos a denominá-lo, chegou
com ares de prêmio Oscar. Cada um que adquiriu tinha a plena certeza que levava
para casa um prêmio. Um presente há muito desejado. Para ser especial, além da
abertura com a carta de apresentação da
obra pelo Editor, a introdução trouxe 10 páginas introdutórias sobre o Ranger,
agora maduro. A Evolução de um Mito apresentando a história editorial, os
amigos e os inimigos; Tex no Brasil com as fases Junior, Vecchi e Globo; os
Outros Grandes Heróis do Faroeste, com destaque para Kit Carson de Rino
Albertarelli e Ken Parker de Berardi/Milazzo e uma cronologia do faroeste nos
quadrinhos; os depoimentos de leitores com Afranio Braga (texiano de Manaus
bastante atuante até nossos dias), Alex Madureira (texiano de João Pessoa,
músico que não deixa o Tex) e Otacílio D’Assunção (editor de Tex e Zagor); os
autores de Tex, escritores e desenhistas, com sutis biografias e desenhos e;
uma publicidade das revistas em bancas.
Então a aventura, envolvendo uma disputa de terras, fato tão
comum em Tex, mas que trazia a magia de Pat, o Irlandês, para reforçar o termo
‘amigo’ e ‘solidário’ do herói e os desenhos com aspectos muito próximos da
realidade do Velho Oeste, de homens rudes, suas aparências descuidadas, roupas
empoeiradas, linguajar direto, muitos desenhos em primeiro plano, muitas
expressões, em suma, o Oeste sem tanto romantismo.
Um mundo cão onde imperava a lei do mais forte, do capital
sobrepujando como um rolo compressor os trabalhadores e pequenos empresários, e
não foi à toa que um dos bandidos foi morto, de maneira magistral, não por um
tiro do herói, mas pelos rolos de madeira que eram os produtos de sua ganância.
A editora foi a Solange Mary Lemos e o sub-editor o nosso
Paulo Guanaes, o ano dessa obra foi 1988, 244 páginas, 27,5 x 19,3 x 1,4 cm, 5
páginas de anúncios particulares, capa em papel cartão, miolo em papel jornal, pesando
360 g,